12.7.10

talvez eu continue...talvez.

Labirintos e Cordas.

-postado no orkut, fake.

"Veja o animal nesta jaula que você construiu
Você está certo de que lado você está?
Melhor não olhar diretamente em seus olhos
Você está certo de que do lado do vidro você está?
Veja a segurança de vida que você construiu
Tudo onde deveria estar
Sinta a solidão dentro do seu coração
E tudo está
Onde deveria estar

E se que tudo à sua volta
Não for exatamente como parece?
E se todo esse mundo que você acha que conhece
For um sonho elaborado?
E se você olhar pro seu reflexo
Isso é tudo que queria ser?
E se você podesse ver através das rachaduras
Você iria se encontrar
Se encontrar com medo de olhar?

E se todo esse mundo estiver dentro da sua cabeça?
Apenas criações da sua própria imaginação
Seus demônios e seus deuses
Todas os vivos e os mortos
E você realmente está sozinho
Você pode viver nesta ilusão
Você pode escolher acreditar
Você continua procurando mas não consegue encontrar as palavras
que você esconde nos seus sonhos?"

-NIN.






Eu não entendia, realmente, o que as pessoas sussurravam.
Por que elas estavam aglomeradas em um monte, se tocando, se juntando, se esfregando?
Qual era o motivo, qual era a necessidade?
Podia sentir a minha cabecinha de seis anos girando nas cores, ah, quantas cores! E as luzes, então?
Luzes coloridas e intensas, num calor abafado, com murmurios e barulhos diferentes, ritmados, enlouquecedores. Que cheiro doce, que delicia!
E uma mão, que me tirou do meu esconderijo secreto, junto ao ursinho rosa com coração...
Uma mão sem rosto, sem dono, que me acariciava, me deixava...feliz!



alguns anos depois.....


Eu não entendia, mesmo, por que algumas pessoas não me davam o que eu queria.
Afinal, todos me amavam demais, todos me queriam bem!
Até mesmo os mais rabugentos, eu conseguia tudo..Eu teria que ter tudo!
Tinha quatorze anos, cachos encantadores e olhos sonhadores...E me odiava. Então, todos teriam que me amar.
Era uma manhã normal, mas o que seria normal, nesse mundo escuro e nebuloso?
O que seria normal, quando meu dia estava apenas começando, mas já era uma merda total?
Tomei um banho relaxante, meus pais com certeza estariam fora, e com certeza não estariam nem aí, mesmo se estivessem em casa...
Eles nunca estavam nem aí, nem aqui, e nem ali, pra nada mesmo...
-E então, fluffy, qual a história que eu irei criar? -indaguei ao meu gato branco malhado, deitado preguiçosamente ao lado da cama, enquanto eu esperava a banheira encher.
-Hummmm...Talvez eu possa me refugiar mais um pouco, criar mais um caso...que tal?
Feliz da vida com as novas idéias, fui diretamente pra banheira.
Enchi de sais e óleos aromaticos, despejei algo que mamãe comprara em Paris, que deixava a água vermelha.
Eram apenas cinco da manhã, eu estava sozinha naquele lugar enorme, e ninguém se importava. Por que eu iria me importar, então?
Imagens desfilavam em minha mente, imagens eróticas, imagens perversas, tudo rodopiava sem parar, e as vozes, voltavam e dançavam em minha mente, e tudo parecia sufocar, tudo parecia tão deliciosamente confuso...!
Acordei assustada, com o corpo arrepiado e a água gelada.
Merda.
Estava atrasada para meu primeiro dia de aula, um dia que deveria ser inesquecível, um dia de vingança aos paizinhos ausentes e gordos que eu deveria amar. Pra quê?
Bom, tudo bem, que falta faria eu chegar na segunda aula?
Me arrumei, ignorando o sapatinho idiota e prático. Joguei para Fluffy, ele se encarregaria do processo de destruição.
Eu odiava ter que olhar aquela cara insossa, aqueles cachos caídos e sem graça, aquelas banhas penduradas ao redor de um corpo que deveria ser mais que perfeito, odiava tão profundamente tudo aquilo, queria morrer, não, queria que todos morressem! Como era capaz de existir acúmulos em lugares que Deus sabe lá pra que, existiam?!
Pronto, mais um espelho quebrado, mais alguns anos de azar. Quem acredita em idiotices como essa...?
A escola era...intrigante.
Típica de um lugar antigo, mofado, poeirento...Típico da Inglaterra.
Eu não via a graça de fugir novamente, apenas por conta de um escandalo tão pequeno...Ninguém tava mais nem aqui para o que o casal fazia.
Mãe brasileira e pai inglês, talvez estivesse no sangue, essa mistura de luxúria, ganancia, superioridade...ódio.
Fui anunciada com pompa por uma velha estranha, com ares de criatura poeirenta saida de um livro de história.
E escoltada até a sala por uma mulher ainda mais sinistra. O que houve nesse meio tempo em que estive ausente?
Tudo perdido, de novo, arquivo fraco, não tinha valor. Sim, por isso eu nem prestei atenção.
A sala era...como diria...maçante.
Garotas lindas, garotas feias, gordas, nojentas.
E garotos.
Mas eram crianças, eu digo, apenas crianças, não servem pra nada mesmo...
-Não se deixe enganar querida.-diria Ella.
-Sim amada, não se deixe levar por essa sua cabecinha estúpida...-diria Elle.
-Vamos cuidar de você. vamos mostrar pra esses mortos-vivos quem está no controle?
-Simm...-sussurrei, deliciada com as imagens rápidas que prometiam vicios e prazeres não tão longe.
-Senhorita...?
Me assustei com o sussurro, vindo de trás, tão real, tão patéticamente fraco!
Senti uma mão enrolando um dos meus cachos, um arrepio de antecipação em meu corpo.
Não sabia o que pensar, era uma garota? A voz era tão rouca, tão quente quanto a água que me embalou os sonhos de manhã.
E o sinal, estridente, irritante, infinitamente bem vindo.
Céus, não tinha nem idéia do que acontecera!
-Hei garota, meu nome é Heidi. Sou meio que novata aqui, também. Venha, vou te apresentar para as garotas!-disse a dona da voz rouca, quente.
Heidi, belo nome...Será que papai aprovaria?
Me armei de coragem e vesti minha melhor cara, sim, queria impressionar!
-Garotas, digam olá para a...qual era seu nome mesmo?-Heidi tinha imensos olhos de caramelo. Caramelos claros, doces e...duros.
-Lori. Podem me chamar de Lori queridas!
Ótimo, meu melhor sorriso, meu melhor contato, minha melhor voz. Talvez elas não olhem para o corpo, sim, talvez.
Vozinhas excitadas, vozes altas, sussurros, como amava os sussurros!
Enquanto todas eram apresentadas, reparei em um garoto, encostado nas sombras, me olhando, me sugando.
Cutuquei Heidi discretamente e perguntei o nome. Um pouco de interesse me tornaria mais humana?
-Ai garota, já vi que é das minhas!-como ela conseguia ser tão animada, gente?!-Ele é o Josh, "O" cara! É mais velho que a gente, mas eu conheço a irmã dele, a baixinha ali, Claire.-sussurrava animada, me dando voltas e voltas com tanta animação.
-Certo, eu vou organizar uma festa, você está dentro querida...! Quero me enturmar sabe, conhecer a turma, o que você acha de...-dois olhos arregalados, pareciam querer saltar em mim, me encaravam. eu assustei - O quê?!
-Você...vai dar uma festa, já?! Mas não conhece ninguém!
-Você acha muito cedo?- pronto. merda. Lá vem ela de novo, me deixar com as pernas bambas, o medo acelerando o coração. O que fiz de errado, o que aconteceu, em que ponto eu deixei de ter o controle? Queria me esconder, sumir.
Acho que ela percebeu o pânico iniciado em meus olhos verdes, pois deu um sorrisinho quente, e pegou minha mão.
-Acho que sim, doçura, mas nada que não possamos consertar, venha, se jogue nas rodinhas e vamos botar pra quebrar!
Eu gostei dela. Por que? Ela me deixa em paz, uma sensação tão boa, doce...Perigoso.

Gostar de alguém é perigoso. Se aproximar das pessoas, é perigoso. Tenho que ter o controle, tenho que ter a certeza de que não serei eu, será eles...
Então, armei meu sorriso, acessei o estoque de "vozinhas saltitantes e doces" e parti pro ataque.
Resultado interessante, no final do dia. Quem sabe se com o tempo, não melhora?
Conhecia, agora, todas as garotas poderosas da sala, sabia quem era mais tímida, as mais complexadas, as nerds fora do lugar, as...odiadas. Bem, pra um único dia, eu consegui o bastante.
Eu estava dentro. Eu fora aceita com louvor. Maravilhoso!..










-quem sabe...palavras perdidas, se encontram, se juntam, talvez o circo continue, sim, talvez.
pra mim, tá uma merda.

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